curso auto elétrico
Aqui mostramos a primeira aula do curso de auto-elétrico.
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Cuidados com combustíveis
Antes de iniciar o curso de auto-elétrico, devemos lembrar que um automóvel
é composto de parte elétrica e parte mecânica.
O motor do veículo faz parte da mecânica e necessita de combustível para
funcionar.
Cada motor e cada combustível tem suas particularidades.
O óleo diesel tem menos facilidade de combustão que a gasolina, porém um motor
diesel trabalha em altíssima pressão.
Isso significa que um vazamento em qualquer parte do motor ou na bomba injetora
pode ser perigoso, pois um jato de
alta pressão pode furar sua pele causando ferimentos graves.
Os motores à gasolina trabalham com pressões mais baixas, porém a gasolina é altamente
inflamável.
A gasolina é inflamável tanto em seu estado liquido quanto em seu estado
vaporoso.
Ao efetuar trabalhos de auto elétrico é preciso ter em mente que se houver vapor
de gasolina em grande concentração
no ambiente e houver faísca elétrica, pode ocorrer explosão.
Apenas como exemplo, citamos aqui um caso de um mecânico que tentou soldar um
tanque de combustível
aparentemente vazio, mas que continha vapores de gasolina e com isso
ocorreu uma explosão fatal.
Como esse curso é apenas de auto-elétrico, não vamos nos concentrar muito no
assunto combustível.
Mas pedimos que você faça uma pesquisa sobre combustível e seus perigos, bem como
relatos de acidentes.
Mesmo que você já seja um mecânico especializado, sempre existem situações de
risco e apenas a pesquisa
constante pode levar o profissional a um nível maior de segurança.
Nunca trabalhe com manutenção de automóvel com porta da oficina fechada, pois
você corre pelo menos dois riscos:
1- Vapores podem se concentrar no ar por falta de ventilação e isso facilita a
explosão por faíscas elétricas.
2- A fumaça que sai do escapamento pode preencher o ambiente com monóxido de
carbono e outros gases, levando a baixos níveis de
oxigênio,
podendo causar desmaios e até morte por asfixia.
Fonte de eletricidade
Para que possa ocorrer a partida do motor à gasolina, é necessária uma fonte de energia elétrica.
As baterias podem fornecer diversas voltagens como 12 e 24V.
Em automóveis de passeio geralmente são utilizadas baterias de 12V.

A bateria também serve para alimentar todos os componentes do automóvel que
necessitam de eletricidade, tais como faróis, lâmpadas em geral, aparelhos de som e também as
placas de controle eletrônico.
Em eletricidade lidamos com dois tipos de corrente, sendo corrente DC e corrente
AC.
A corrente AC não serve para muita coisa, pois os circuitos eletrônicos exigem
tensão DC.
Uma bateria de automóvel fornece tensão DC sem necessitar de nenhuma retificação.
O termo DC vem do Inglês e significa Direct Current, sendo traduzido por
corrente continua.
Pelo fato de fornecer corrente contínua, uma bateria tem sempre dois pólos,
sendo positivo (+) e negativo (-).
E importante notar que existem variações na posição dos pólos, dependendo do modelo da
bateria.

Conforme podemos observar na figura acima, o pólo negativo pode estar à direita
ou à esquerda.
Por isso, caso a bateria não seja original é importante prestar atenção nesse
detalhe.
Uma inversão na polaridade pode causar sérios danos ao
automóvel.
Corrente
Se medirmos entre os dois pólos da bateria de carro com um voltímetro
encontraremos uma tensão aproximada de 12V.
Porém mesmo havendo tensão, não significa que exista corrente.
A corrente somente existe quando existe uma carga ligada à bateria.
No exemplo abaixo a bateria está alimentando uma lâmpada de 12V.
Nesse caso passa a existir corrente que circula através
dos fios.
A corrente é medida através de um alicate amperímetro, pois a corrente está
passando pelos fios e é diferente da tensão.

Note que a tensão está presente apenas nos terminas da bateria, enquanto a
corrente circula pelos cabos.
Cabo e conectores da bateria
Abaixo vemos um dos conectores que vai ligado um dos pólos da bateria.

Conforme podemos ver, o cabo é bem grosso.
Isso se deve ao fato de estarmos trabalhando com baixa tensão.
Se compararmos o cabo da uma bateria de 12V com os fios de uma instalação
residencial de 110V, podemos observar
que os fios da instalação residencial são mais finos que o cabo da bateria
automotiva.
Em automóveis, pelo fato da tensão ser baixa, as correntes envolvidas são sempre altas pois: potência
= tensão X corrente.
É pelos cabos da bateria que passará a corrente para todos os componentes do automóvel.
Por exemplo, a corrente para o motor de arranque no momento da partida pode
atingir valores entre
150A a 300A dependendo do modelo do motor de arranque.

Para correntes tão altas é necessário não apenas um cabo bem grosso, mas também
que o conector seja
de boa qualidade e seja bem apertado.
Caso haja mal contato entre o conector e o pólo da bateria, haverá
superaquecimento e conseqüente
carbonização, resultando em danos ao conector ou até mesmo à bateria.
Carregamento da bateria
Ao ligar a chave no contato, o motor de arranque faz girar o motor do
automóvel e juntamente com o faiscamento das velas
ocorre a partida do motor.
A partir desse momento, o motor de arranque é desligado e o motor a gasolina
funciona por si só.
Porém, o circuito de ignição continua sempre enviado faíscas elétricas para o
motor.
Dessa forma o motor não depende mais da bateria para gerar rotação, mas depende
da bateria para a combustão
da gasolina.
Enquanto funciona, o motor do automóvel faz girar o alternador.

Ao girar, o alternador produz eletricidade.
Porém, qualquer eletricidade gerada através de um gerador por rotação resulta em
corrente alternada (AC).
Dessa forma não existe polaridade.
Por isso, é necessário que essa tensão seja retificada.
A retificação é feita através de diodos.
Os diodos estão montados dentro do próprio alternador.
Abaixo vemos o desenho de um diodo próprio para alternador.

Após passar pelos diodos, ocorre a retificação e essa tensão servirá para
carregar a bateria enquanto o motor estiver em funcionamento.
A carga é controlada por um circuito chamado regulador que também é montado em
conjunto com o alternador.
Durante o curso estudaremos o alternador em detalhes.
Riscos de choque
Não existe grande risco de choque quanto lidamos com tensões baixas como 12V.
O que existe em tensões baixas e correntes altas são riscos de queimaduras.
Por exemplo, se você instala um cabo muito fino para testar algum componente que
consome
alta corrente ligando o mesmo à bateria,
esse pode aquecer muito e dependendo da
corrente,
pode até carbonizar-se.
Se você estiver em contato com um cabo desses no momento do superaquecimento,
poderá sofrer
as queimaduras decorrente do calor liberado pelo cabo.
Mas apesar da bateria fornecer baixa tensão, é importante saber que o veículo possui circuito de alta
tensão.

O circuito de alta tensão vai desde a a bobina de ignição
até as velas de ignição.
Dependendo do veículo, a bobina de ignição pode produzir tensões na faixa de
20.000V ate 40.000V.
Um choque causado por tensões dessa intensidade pode ser muito violento e com
sérias conseqüências.
Por isso tenha sempre atenção especial quando estiver lidando com o circuito de
ignição.
Resumo
1- Mesmo sendo profissional da parte elétrica você deve estar consciente dos
cuidados e perigos da parte mecânica
2- O vapor da gasolina é altamente inflamável e pode causar forte explosão
3- Mantenha a oficina sempre ventilada
4- A bateria fornece corrente contínua
5- A bateria pode ter polaridade invertida
6- O cabo da bateria sempre deve ser bem grosso e o contato firme e limpo
7- O motor de arranque drena uma grande corrente no momento da partida
8- O alternador é um gerador de corrente alternada
9- A corrente alternada do alternador deve ser convertida em corrente contínua
10- Para converter corrente alternada em contínua, utiliza-se diodos
11- A tensão do alternador, já retificada, é aplicada à bateria a fim de fazer
sua carga
12- Tenha cuidado especial ao lidar com o circuito de ignição, pois esse produz
alta tensão
Até a próxima aula
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